terça-feira, setembro 22

Impressão.

A primeira vez que ouvi o Padre Fábio pregando numa quinta-feira de adoração da Canção Nova, fiquei completamente encantada pela forma como até mesmo a mais dura das palavras saía de forma tão suave dos lábios dele. A doçura ao falar, ao agir. O estar disposto que encontrei nesse padre e em tão poucos despertou em mim uma alegria nova, a de ser católica apostólica romana e por isso ter a graça de ter sacerdotes como ele, disposto a viver como eterno pescador.
Durante todos os nossos encontros posteriores uma coisa me deixava irritada, não entendia por que um homem com tamanho dom com as palavras insistia em cantar, quando sua voz não era tão agradável assim. Comprei um ou outro cd só pra ver se era problema auditivo meu, ou se a voz dele realmente não era boa..rs
A opinião não mudou! Continuava achando que ele podia levar a palavra de Deus só pregando mesmo..sem cantar. Até ontem, quando tive a coragem de sair de casa debaixo de um temporal horrendo só para acompanhar uma senhorinha até o Maracanãzinho, onde ele faria um mini-show no encerramento do Círio de Narazé aqui no Rio de Janeiro.
Duas coisas me fizeram amar ainda mais o homem, enquanto ser humano, e o sacerdote:
• O homem me conquistou ( mais ) quando cantou num Maracanãzinho lotado, e completamente silencioso, do início ao fim uma música sem acompanhamento, tudo porque seu 'maestro' não conhecia a música. Ele cantou e foi muito bem! É preciso muita coragem pra encarar isso. Eu sei pela minha experiência enquanto musicista que não é fácil encarar 100 pessoas olhando pra você, enquanto você canta ou toca algo totalmente novo. Imagine 2000 pessoas!!
• O sacerdote - amigo me encantou e ao mesmo tempo ensinou ao olhar e falar com o tecladista.
A cumplicidade daqueles dois, a maneira como eles se entediam só no olhar fez com que eu sentisse saudade dos meus músicos, dos meus amigos. Senti falta das risadas que só nós entendíamos, dos nossos improvisos que tinham tudo pra dar errado, e por algum milagre acabavam dando certo.

Queria muito descobrir uma maneira de entrar em contato com o 'maestro' dele ... Acho que ele merecia ser entrevistado, certamente tem muito a dizer sobre a  convivência com o padre, e sobre música. Adoraria ouvir/ver um dia as perguntas que o Jô faria ...rs

Sinto saudade de amigos assim...Próximos. Que me conheçam só pelo olhar, e nisso eu não só admiro o padre, como também invejo. Ando tão fechada em mim que tenho me doado muito pouco, tenho me deixado conhecer e descobrir quase nada. Invejo a capacidade que algumas pessoas têm de conquistar e se deixarem conquistar por outros.
Sinto falta daquela primeira impressão, que não fica.

Beijos, Criiis de Deus.

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