Chega, toma conta, bagunça tudo e então vai embora deixando lembrança em cima de lembrança como uma gigantesca pilha de roupas por lavar.
Só que hoje,
hoje não quero lavar roupa suja ...
Deixar tudo do jeito que está parece mais divertido.
Vou deixar tudo do jeito que está e olhar pro lado de lá.
Porque as vezes não ter que pensar é ser mais sincero consigo mesmo. É não ser masoquista.
Vou deixar a pilha pra lá.
Quem sabe um dia encontro sabão em pó suficiente pra arrancar à força todas essas manchas, todas aquelas manchas que ainda estão lá.
Quem sabe um dia não encontro uma pá, e com ela desenterro os ossos desse amor doido e doído que hoje eu só quero ignorar... Ou quem sabe não acerto com força a cabeça do infeliz que ousou roubar meu coração, e sem saber o que fazer com ele, se acovardou e fugiu, e me deixou, e nunca mais ligou nem apareceu.
Quem sabe um dia numa dessas esquinas e atalhos que a vida nos obriga a tomar, não encontro Ele ... o ladrão, e aí crio coragem e perguntou: - Por que eu?? Por que tinha que ser o meu coração??
Sei que depois de tanto tempo não terei resposta nenhuma, mas pelo menos a pergunta terá saído da minha alma pra importurnar os ouvidos dele...
Quem sabe um dia eu paro de falar ... Deixo Ele e tudo isso pra lá, esqueço a roupa por lavar e tapo o buraco com algo que realmente sirva, que tenha o formato perfeito pra encaixar nesse espaço ainda vazio ...
Quem sabe um dia eu realmente consiga esquecer toda dor que causei, todo amor que neguei .
Quem sabe um dia eu consiga me perdoar e entender que hoje, e até quando Deus quiser você será feliz nos braços de uma mulher que não serei Eu.
Quem sabe um dia eu descubro uma maneira melhor de viver com a dor de saber que se hoje não tenho você, é só porque um dia fui amada demais e soube amar de menos.
Quem sabe um dia eu tenha coragem suficiente pra olhar a pilha de roupas com os olhos da verdade e descubra que você nunca foi ladrão, assim como eu nunca fui vítima.
Nenhum comentário:
Postar um comentário